Do twitter de Cynical Publius:
ASSUNTO: Credencialismo Acadêmico
Eu não desrespeito todas as pessoas com doutorado.
Eu simplesmente desrespeito pessoas com doutorado em uma “ciência” social (uso esse termo com bastante liberdade) que se apoiam nessa credencial como se isso as tornasse certas em tudo e que se consideram seres humanos superiores por possuírem tal título.
Tenho grande respeito por doutores nas ciências de verdade, na engenharia e na matemática. Essas áreas geralmente têm respostas demonstravelmente certas ou erradas, e é preciso apresentar provas irrefutáveis de como se chegou a essa resposta para ter sucesso.
Na maioria dos casos de Ciências Exatas (ou seja, cientistas que não são do tipo Fauci e não se escondem atrás do diploma para promover uma agenda política), tenho enorme respeito por isso.
Mesmo nas ciências sociais, existem pessoas brilhantes com doutorado que não usam essa credencial como um escudo de madeira compensada. Victor Davis Hanson me vem à mente.
Depois, há aqueles OUTROS doutores em “ciências” sociais, que estão imersos em um pensamento de grupo corrupto. Esses diplomas não passam de um balde de saliva morna. São verdadeiros baldes de saliva morna, conquistados através de pesquisa e conformidade com outros baldes de saliva morna aceitáveis do passado, usando esses mesmos baldes de saliva morna para suas próprias teses e, então, lançando essa pilha regurgitada de saliva morna para outros baldes de saliva morna já existentes, que decidirão se você receberá o seu próprio balde de saliva morna, CASO decidam que sua saliva é exatamente igual à deles.
Isso não é uma credencial acadêmica. É um certificado para conseguir um emprego ensinando outros baldes de saliva morna. (Nesse sentido, é como um doutorado em Direito — um doutorado em Direito não torna você melhor ou mais inteligente, é simplesmente um requisito para que você possa ocupar um certo tipo de cargo.) Em termos de valor social real, um doutorado em forma de balde de saliva morna é basicamente inferior a um certificado de treinamento em AVAC e equivalente a aprender a operar a parte traseira de um caminhão de lixo.
Nas ciências sociais, um doutorado muitas vezes não passa de um sinal de inteligência razoável, mas que sabe adequar-se e trabalhar muitas horas.
Nas ciências sociais, respeito pessoas que conseguem construir um argumento lógico baseado em fatos verificáveis e que se sustenta por si só, independentemente do tipo de formação acadêmica que possuam. Não me importa se têm um diploma do ensino médio ou um doutorado, o que importa é o argumento.
Essa é a minha opinião sobre o credencialismo acadêmico.

Comentário de James Lindsay:
Tenho algo a acrescentar que considero importante.
Também sou contra o credencialismo, com toda a ênfase no ISMO, exatamente como meu amigo Cynical Publius disse aqui. Concordo plenamente.
Quero falar, no entanto, sobre o que eles tiraram de nós.
Credenciais e credencialismo não são a mesma coisa. O credencialismo é uma falácia, ou até mesmo uma ideologia arrogante, sobre possuir credenciais; a ideia de que ter credenciais torna alguém melhor ou necessariamente mais especialista, ou que a sociedade deveria ser governada por pessoas que possuem credenciais.
O problema, e o ponto que quero salientar, é que credenciais são um símbolo, e nada além disso.
Credenciais DEVERIAM representar algo, mas não necessariamente representam esse algo.
Por exemplo, o João Corrupto pode conceder uma credencial para ser um profissional de qualquer-coisa ao seu sobrinho Joãozinho Corrupto, mesmo que Joãozinho não possua nenhuma das habilidades necessárias. Com esse diploma, o Joãozinho pode trabalhar como um profissional de qualquer-coisa, mesmo sem ter a capacidade necessária, o que é um problema.
Ou seja, a credencial pode e deve certificar competência real, mas, como qualquer outro símbolo, pode se corromper e perder esse propósito ao ser concedida a pessoas que não a merecem.
A corrupção nepotista direta, como o João favorecendo o sobrinho Joãozinho, é uma das maneiras pelas quais diplomas ilegítimos podem ser concedidos. Existem outras formas, e o meio acadêmico está REPLETO DELAS.
Alguns diplomas e até mesmo áreas de estudo inteiras não deveriam existir, assim como quaisquer empregos que contratem profissionais formados nessas áreas (principalmente sinecuras acadêmicas e pseudoempregos em organizações sem fins lucrativos ou no governo).
As notas são infladas. São admitidas, aprovadas e diplomadas pessoas que nunca deveriam tê-lo sido, não apenas por, digamos, corrupção financeira, mas também por causa de incentivos comerciais perversos nas universidades, administrações fracas e idiotices ideológicas como a “avaliação por equidade”.
Os estados, na verdade, também têm diluído os requisitos de formação a fim de produzir mais graduados, como se mais graduados fosse o que a economia e a sociedade precisam (em vez de mais profissionais genuinamente qualificados). Etc.
Portanto, em certo sentido, o problema do credencialismo está intrinsecamente ligado ao problema dos caminhos corruptos para credenciais imerecidas e, portanto, falsas.
Agora, é aqui que a coisa fica importante (e onde defendo meu ponto).
AS CREDENCIAIS SÃO MUITO VALIOSAS E IMPORTANTES.
(mas elas só funcionam em uma sociedade de elevada honestidade e fidelidade, onde representam o que afirmam representar).
O que as credenciais conseguem é uma espécie de atalho social. Você não precisa verificar se o seu dentista realmente sabe como trabalhar com dentes ou se ele é apenas um sujeito qualquer que abriu um consultório, porque supõe-se que a licença (uma credencial) e a formação (outra credencial por trás dela) validem isso para você em um certo padrão mínimo esperado. Ou seja, a credencial deve indicar que “a pessoa que está fazendo este trabalho é capaz de realizá-lo, pelo menos, dentro de um certo padrão mínimo”.
Obviamente, quando os sistemas de credenciamento, ou seja, as próprias credenciais, ficam corrompidos, todo este programa deixa de funcionar.
Por que iríamos querer credenciais, porém, e o que uma pessoa sensata, há dez anos, poderia ter chamado de “lado bom do credencialismo”, abusando um pouco da linguagem?
Porque é um atalho enorme. Leva uma QUANTIDADE ENORME de tempo e energia (ou seja, recursos) para validar a competência, especialmente em áreas de alta especialização (por exemplo, odontologia, engenharia nuclear, controle de tráfego aéreo, pilotagem, cirurgia, etc.). A credencial é o atalho. Se as únicas pessoas que conseguem obter a credencial forem comprovadamente competentes acima de um nível mínimo aceitável, você economiza uma QUANTIDADE ENORME de recursos na verificação.
Obviamente, você ainda precisa verificar, aliás, mesmo quando contrata uma pessoa credenciada, quando as credenciais funcionam. A pessoa pode ser mediana. Ela pode ter piorado desde que obteve a credencial. O que for. Mas a credencial é um atalho enorme, não uma garantia. Ela economiza uma quantidade enorme de recursos.
Como boas credenciais economizam enormes quantidades de recursos quando são respeitáveis e confiáveis, elas representam um enorme multiplicador de eficiência. Queremos multiplicadores de eficiência enormes, assim como não queremos descobrir da pior maneira que contratamos o Joãozinho Corrupto em vez do João-Competente. Multiplique isso por milhões de contratações e empregos por ano, e você entenderá a ideia.
Há um motivo para verificarmos se os profissionais são certificados e licenciados em todos os empregos importantes. Esse motivo é que o que a coisa que credencial supostamente representa importa.
O problema em que nos encontramos, que o Cínico Publius está apontando aqui, é que temos atualmente, na melhor das hipóteses, um sistema de credenciamento de confiança mediana em nosso país, e não mais de alta confiança. Pode-se dizer que isso representa uma queda do status de primeiro mundo, e estaria certo. O multiplicador de eficiência já está amplamente comprometido, e o princípio “caveat emptor” (que o comprador fique atento!) reina como há muito tempo não se via.
O DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) foi provavelmente um dos maiores assassinos de credenciais em nossa sociedade, mas, como mencionei acima, não está sozinho.
Não se trata apenas de nossas universidades, tampouco. Nossos órgãos de credenciamento e certificação foram praticamente conquistados pela DEI, ESG e pelas ideologias estúpidas e destrutivas e pela corrupção mental que as sustentam. Quase todos os nossos órgãos de credenciamento, muitos dos quais operam como monopólios nas profissões, foram capturados ou, pelo menos, contaminados. Nossas instituições, corporações e melhores práticas estão permeadas por essa coisa e por pequenos exércitos de políticos “credenciados” piores que inúteis, que não são apenas um fardo, mas um veneno. Tudo está contaminado por esse falso problema do credenciamento. Tudo.
E tem mais. Um problema adicional é que todos nós, de certa forma, temos que agir como se isso não tivesse acontecido. Não temos uma solução alternativa em vigor. Na maioria dos casos, não temos instituições alternativas. Não temos muitas universidades alternativas, se é que temos alguma. Temos poucos, ou nenhum, caminho alternativo para a acreditação, muitos dos quais são monopólios literais, e não apenas efetivos, sobre suas respectivas profissões. Temos poucas, ou nenhuma, corporação livre de programas de “responsabilidade corporativa”. Temos poucos, ou nenhum, caminho alternativo para a obtenção de licenças. Temos uma força de trabalho contaminada, um funil educacional contaminado e um aparato de certificação contaminado.
Ou seja, nossa única alternativa prática é continuar mancando com essa perna quebrada e torcer para que consigamos superar a situação e, talvez, restaurar ou substituir, durante o caminho, o que está quebrado.
Enquanto isso, ainda precisamos de advogados, médicos, engenheiros, pilotos, controladores de tráfego aéreo, professores e todos os tipos de outras profissões, todas elas atuando com base em credenciais que, com frequência, têm um valor duvidoso face o papel em que são escritas.
A parte mais louca disto é que, mesmo que a MAIORIA do sistema de de credenciamento continue a s er bastante eficaz, o problema continua incrivelmente grave. Por quê? Porque você perde o efeito multiplicador de eficiência se mesmo uma minoria pequena mas significativa de pessoas credenciadas não for realmente competente, o que exige a verificação de praticamente todos, por métodos mais onerosos, qualificados ou não. (Isso não deve ser confundido com a verificação usual que deve ocorrer; é muito mais severo.)
Portanto, embora eu seja totalmente anti-credencialista, sou um grande defensor de credenciais que signifiquem alguma coisa, e de usá-las como se significassem o que significam. Francamente, esta é uma crise social.
Obrigado pelo seu tempo e atenção. O apocalipse seguirá conforme o planejado.
Imagem:
Cartaz do filme Idiocracia






