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Medica-se a culpa por não se assumir a responsabilidade das escolhas.

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Você se sente violado depois do sexo casual porque se degradou. Não porque foi estupro.

[…] Ela não foi agredida[…]. Ela de boa vontade foi para o apartamento dele em um primeiro encontro, de boa vontade tirou a roupa, de boa vontade praticou atos sexuais com ele, e só tentou sair depois de ter passado muitos minutos beijando ele, nu, em sua cozinha e na sua sala de estar. Nenhum estupro ocorreu. O que aconteceu foi um encontro sexual barato, estranho e degradante.

[…]

​O movimento #MeToo parecem ter percebido uma verdade importante. Ele fo​i​ na direção totalmente errada com isso e aprende​u todas as lições erradas com isso, mas es​tá certo, pelo menos, sobre isso: há algo de errado com a maneira como abordamos o sexo na sociedade moderna, e está deixando muit​as pessoas se sentindo magoadas e abusadas.

​[…] Quando ouvem que Grace se sentiu violada após o​ ato, declaram que deve ter sido seu “consentimento” que foi violado. Afinal, a única coisa que um dos participantes deve respeitar é o consentimento. É a única regra. O único mandamento. A única coisa que pode ser violada. Existem, na mente moderna, apenas dois tipos de sexo: consensual e estupro. O que quer que caia sob o primeiro guarda-chuva deve ser bom. Portanto, se uma mulher não se sente bem na manhã seguinte, deve ter sido sexo do tipo que não é bom, o que significa que deve ter sido estupro.

Mas o esforço para enquadrar o sexo relutante, embora consensual, na categoria de estupro requer a formação de um monte de regras novas, confusas e em constante mudança. A fórmula excessivamente simplificada do “bom ou estupro” de repente se transforma em um cálculo excessivamente complicado, e a única maneira de um homem saber realmente se cometeu estupro ou não é perguntar à parceira no dia seguinte. E, mesmo assim, ela pode não tomar uma decisão até a semana seguinte, ou no mês seguinte, depois de ver você na TV ganhando um Globo de Ouro. E de repente resolvemos o problema do sexo na sociedade moderna, transformando-o em um ato criminoso. Ironicamente, os conservadores sempre são acusados ​​de querer criminalizar a promiscuidade, mas os liberais realmente a criminalizaram.

Suas narrativas e fórmulas os cegaram. Eles não entendem que uma pessoa pode ser violada consensualmente durante o sexo. Uma mulher pode comunicar consentimento inequivocamente – digamos, ficando nua na sala de estar de um homem estranho e agarrando seus órgãos genitais – mas ainda assim acabar se sentindo degradada e ​sofrendo abuso, no final​,​ porque sua dignidade foi violada. Eles não entendem esse conceito porque não entendem que os seres humanos têm uma dignidade inerente​,​ para começ​o de conversa. É como tentar diagnosticar uma doença cardíaca enquanto nega a existência do coração.

Eis a realidade: o sexo que viola, consensualmente, a dignidade de uma pessoa é imoral e prejudicial, mas legal e recíproco. Sexo casual – sexo entre estranhos que acabaram de se conhecer no Tinder ou em uma festa – é uma violação mútua da dignidade humana. Ambos os parceiros reduzem o outro a mera carne e osso; um conjunto de partes do corpo sem alma ou propósito além de ser usado como um dispositivo masturbatório glorificado. Essa é a essência do sexo casual. É o que o torna casual. E é por isso que você tem aquela sensação desagradável na manhã seguinte.

Então, você se sente violado? B​om, você ​foi. Mas você permitiu que isso acontecesse; você o convidou; você participou da sua própria degradação e fez o mesmo com a outra pessoa, mesmo que ela não compartilhe do seu arrependimento. O que você ouve em seu coração é sua consciência dizendo que seu corpo é sagrado demais para ser tratado da maneira como você o tratou. Você. Você tratou dessa forma. Não foi algo que aconteceu com você, foi algo que aconteceu ​por meio de você, por sua causa. Você é 100% responsável e a outra pessoa também.

Dessa forma, o sexo casual não é diferente de qualquer outro pecado. Sempre que fazemos algo errado, se nossa consciência ainda estiver funcionando, sempre olharemos para trás quando a ação for feita e pensaremos: “Por que eu fiz isso? Não valeu o custo.” E podemos ser tentados a nos aliviar retroativamente de nossa culpa racionalizando e justificando. Podemos dizer – seja o pecado o sexo ou qualquer outra coisa – que fomos “pressionados”. E certamente fomos pressionados. Todo pecado na história do homem foi cometido por alguém que foi pressionado, externa ou internamente, a cometê-lo. Mas o fato de você ter sido pressionado a fazer sexo não significa que foi estuprado, mais do que o fato de ter sido pressionado a fumar um baseado no colégio significa que você foi drogado. É preciso coragem moral para resistir à pressão e à tentação.

Nossa sociedade sem Deus há muito está engajada nesta campanha para aliviar os sentimentos de culpa, não des​incentivando as ações que os provocam, mas tornando a pessoa que os sente​, uma vítima. Você notará que temos uma “doença” ou uma “condição” para explicar quase todos os vícios. Transformamos a culpa em uma questão médica ou psiquiátrica. Um homem que tem sentimentos intensos de culpa e vergonha pode consultar um psiquiatra e sair com uma receita de pílulas que irão entorpecer sua consciência. Estamos sempre tentando fazer com que os sentimentos desapareçam, sem nunca parar para considerar se os temos por causa de como estamos vivendo.

No reino do sexo, transformamos a culpa e a vergonha em uma questão legal. Se uma mulher se sente mal depois do sexo, ela deve ser vítima de estupro. Não poderia ser culpa dela. Nunca pode ser culpa dela. Não podemos permitir culpa moral. Não podemos colocar a responsabilidade sobre a mulher; não podemos “culpá-la” por suas próprias decisões. Não podemos deixá-la com sua culpa, porque sen ão não permitimos a ela nenhum alívio além da oração e do arrependimento. Mas isso significa que devemos reconhecer Deus, o que abre uma nova fonte de problemas.

Portanto, como covardes, recuamos para o abrigo da culpa desviada. Começamos a falar sobre “consentimento” e “cultura do estupro” e tudo mais. Qualquer coisa, menos responsabilidade pessoal. Qualquer coisa, menos vergonha. Qualquer coisa, menos culpa. Tudo menos pecado. E nada melhora. E nunca nos sentimos melhor. Mas, dizemos a nós mesmos, pelo menos​ a culpa não é nossa.

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Editorial

Colunista do Conselho Internacional de Psicanálise.

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