iconfinder_vector_65_12_473798

Filie-se!

Junte-se ao Conselho Internacional de Psicanálise!

iconfinder_vector_65_02_473778

Associados

Clique aqui para conferir todos os nossos Associados.

iconfinder_vector_65_09_473792

Entidades Associadas

Descubra as entidades que usufruem do nosso suporte.

mundo

Associados Internacionais

Contamos com representantes do CONIPSI fora do Brasil também!

Quando o diagnóstico vira álibi, acaba a responsabilidade. E a justiça para a vítima.

Trechos extraídos ou texto replicado na íntegra do site: Twitter de Gabriel Hudelson.
Autoria do texto: Gabriel Hudelson.
Data de Publicação: .
Leia a matéria na íntegra clicando aqui. Twitter de Gabriel Hudelson

“SÓ SINTO PENA DA LINDSAY CLANCY”

O debate continua aceso. Algumas categorias para se pensar com ordem.

20-08-26, vigília do lado de fora do tribunal que julga Lindsay Clancy

Compaixão

Podemos ter pena da Clancy? Conforme o julgamento avança, já se apresentou muita prova de que ela era uma pessoa muito perturbada no período que antecedeu o momento em que despachou o marido numa incumbência e, então, estrangulou metodicamente os três filhos.

O argumento mais forte dos partidários dela é este: simplesmente sentem pena, e acham que devemos poder discutir, com nuances, os sofrimentos por que ela passou.

Suponho que se possa ter compaixão de um criminoso monstruoso. Alegro-me de que Deus tenha tido compaixão de mim ainda quando eu era inimigo dEle. Mas há o que não esquecer:

Primeiro: a compaixão não é dever do governo civil. A justiça é. Por mais triste que seja o antecedente, ao governo cabe executar a justiça.

“O teu olho não se apiedará: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” — Dt 19:21

A justiça contra o culpado é compaixão para com o inocente.

Segundo: nas defensoras da Clancy, um fio constistente é a compaixão em excesso pelo assassina, com pouca ou nenhuma pelas vítimas de fato.

Se você quiser ter compaixão da Clancy, tudo bem, acho. Com certeza eu adoraria que ela se arrependesse do seu pecado e viesse a conhecer Jesus Cristo. Depois disso, o governo deveria mandá-la ao encontro dEle, cara a cara. Eu a abraçaria de bom grado um dia no céu.

Contudo. A maior parte da minha compaixão vai para as três crianças cujo último olhar neste mundo foram os olhos de raiva da mãe demoníaca, enquanto ela lhes espremia o último fôlego ofegante e elas se contorciam até morrer nos braços dela. Tenho compaixão também do homem que voltou de uma compra rotineira e achou os seus três bebês preciosos executados pela mãe.

É para aí que vai a maior parte da minha compaixão, e a sua também deveria ir.

A compaixão bíblica não é empatia tribal desenfreada, desligada da realidade.

12-07-26, vigília no tribunal

Terceiro: a a compaixão seria mais adequada numa situação em que o criminoso estivesse aniquilado de culpa, pedindo perdão e aceitando de boa vontade as consequências justas dos seus atos. Uma mãe arrependida preferiria a pena de morte a viver o resto da vida encarando, cada vez que fecha os olhos, os rostos aterrorizados dos filhos.

Deus tem misericórdia dos pecadores arrependidos. Ele não lhe escreve um passado comovente para justificar o pecado.

Justiça

A próxima consideração é a justiça.

A defesa por insanidade é uma defesa insana. Talvez a Clancy realmente fosse uma pessoa perturbada e dopada, que não estivesse plenamente no controle das próprias faculdades mentais quando despachou o marido para fazer umas tarefas para poder estrangular, de forma metódica, os três filhos até a morte.

Ainda assim, ela estrangulou metodicamente os três filhos até a morte.

Como tal, ela é um monstro a sangue-frio, e uma assassina, e a punição justa é a morte.

Qualquer coisa aquém disso é participar do mesmo jogo de empurrar a culpa que já soltou de volta na rua incontáveis criminosos negros para estuprarem, matarem e roubarem.

De fato, somos responsáveis pelos nossos atos. E, de fato, precisamos enfrentar as consequências deles. Está na moda, neste momento, achar alguém para culpar, mas isso não é uma posição nem cristã nem sustentável.

A ideia de que outra pessoa é responsável pelos meus atos é, literalmente, uma ideia que torna o sistema de justiça completamente impotente.

Além disso, de algum modo pegou a ideia de que é mais cristão ter pena do criminoso do que querer vê-lo levado à justiça. Mas isso é puro disparate.

“O exercício da justiça é alegria para o justo, mas terror para os que praticam a injustiça.” — Pv 21:15“

No bem dos justos, exulta a cidade; e, perecendo os ímpios, há júbilo.” — Pv 11:10

Se Lindsay Clancy for condenada à morte por ter assassinado os filhos, eu me alegrarei de que a justiça foi feita — e você também deveria.

Realidade

Em seguida, convém observar que, embora o melhor argumento das defensoras da Clancy seja simplesmente o de que sentem pena dela e querem um debate nuançado sobre o sofrimento das mulheres no pós-parto, ou talvez o de que a Clancy não teve “intenção” de matar (ao incumbir o marido de ir buscar coisas de carro para poder estrangular metodicamente os três filhos pequenos até a morte). Mas a realidade concreta — que todos podemos ver com os próprios olhos — é bem menos “nuançada”.

Temos mulheres — muitas mulheres — gravando-se na companhia dos filhos pequenos e declarando que se identificam com o desejo de Lindsay de assassinar os bebês. Temos amigas da Clancy rindo no tribunal. Temos feministas acorrendo em massa para apoiar Lindsay, não porque ela seja inocente, mas precisamente porque ela é culpada, e “se veem nela”.

Isto não é um debate nuançado sobre os efeitos da medicação na saúde pós-parto. Isto é uma geração inteira de americanas psicóticas comemorando uma mãe que assassinou os filhos. Depois passam a ter conversas sérias sobre como os signos astrológicos indicam que Lindsay deve ser inocente.

Mesmo aqui a incoerência é hilária. “Lindsay, nós nos identificamos com você. Nós também queremos assassinar nossos filhos. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que você não fez isso e que, o caso inteiro foi uma armação contra você.

”É incoerente e demoníaco. O objetivo é licença total, sem responsabilidade alguma. Não é racional. É emocional. E é um desvario.

Por isso, não finjamos que isto é uma conversa sobre medicação no pós-parto. Essa é uma conversa que podemos ter, sem dúvida, e eu acho que o grau de medicação das mulheres americanas é um perigo enorme para a nossa sociedade, junto com a influência das redes sociais, os estragos do feminismo e muitas outras coisas.

Mas isto? Isto é um bando de mulheres aplaudindo o próximo patamar dos direitos ao aborto, e não finjamos o contrário. As mesmas mulheres que defendem a Clancy são as que postam vídeos nas redes sobre o quanto não gostam dos filhos e sobre como é terrível ser mãe. São as mulheres que usam o filho chorando como adereço no TikTok, em vez de consolar o bebê.

Isto é um câncer, e é óbvio.

Parcialidade

Um dos sinais mais claros de que os defensores da Clancy não devem ser levados a sério é a parcialidade deslavada que demonstram. Como negros que acorrem a defender Karmelo Anthony*, as defensoras da Clancy são previsíveis ao extremo: sobretudo mulheres brancas, liberais e feministas, e alguns homens “conservadores” frouxos que querem parecer ponderados e sensíveis.

(Por mais que eu deteste o termo “cavaleiros andantes”, ele se aplica bem a esses caras.)

Podemos fazer um exercício mental simples para saber se os defensores da Clancy estão sendo justos ou parciais.

Digamos que uma mulher se divorcia do marido — ele era um marido e um pai muito bons, mas ela já não estava mais “sentindo” paixão. Então ela se divorcia. Fica com os filhos, fica com a casa, recebe uma pensão enorme. Ele suporta isso durante anos. Cumpre a sua parte sem reclamar. Um dia descobre que a sua mãe tem câncer. Não consegue continuar pagando a pensão e ainda custear o tratamento da mãe.

Nesse instante a mulher manda mensagem dizendo que não vai mais deixá-lo ver os filhos.

Ele explode, dirige até a casa dela e atira nela.

Devemos todos, juntos, sentir pena dele? Devem os homens divorciados começar uma moda no TikTok dizendo que sentem o mesmo? Ou devemos dizer que o ato foi monstruoso e que ele deve ser punido por homicídio?

Você talvez responda que a esfera masculina redpill defenderia o que ele fez. E você, provavelmente teria razão. Mas esse é o ponto. Essa esfera e as feminazis de camisa rosa são o avesso uma da outra.

E que tal a um homem criado numa sociedade extremamente dissoluta no sexo, exposto sem cessar a mídia violenta e gratuita e a pornografia, incapaz jamais de encontrar uma mulher disposta a casar com ele? Um dia encontra, num lugar isolado, uma mulher atraente e vestida com extrema indecência e, tomado pelo desejo hormonal, estupra-a. Depois, homens na internet começam a publicar fotos ao lado de mulheres atraentes, com frases de solidariedade ao estuprador. Ele merece a nossa compaixão?

Não é difícil inventar um passado comovente para vilões. Mas, se você for imparcial, terá de inventá-lo para todos os vilões. E, se for justo, terá de puni-los pelos crimes mesmo assim.

Apenas faço a observação de que os criminosos das minhas duas hipóteses fizeram coisas que — embora inteiramente perversas e indefensáveis — foram menos hediondas do que o que Lindsay Clancy fez. De longe.

Encerremos com um exemplo real. DeCarlos Brown Jr., o homem que matou esfaqueada Iryna Zarutska*, a sangue-frio, diante da câmera, e depois disse “peguei aquela branca”, foi considerado mentalmente incapaz de ir a julgamento.

A analogia é quase perfeita, embora, outra vez, o que Lindsay Clancy fez tenha sido bem pior. DeCarlos assassinou uma desconhecida. Lindsay assassinou três filhos seus.

O que você for dizer da Lindsay… está disposto a dizer com ainda mais força a respeito de DeCarlos?

Se não estiver, talvez esteja cometendo o pecado da parcialidade.

Austin Metcalf, morto por Karmelo Anthony
Iryna Zarutska, no momento em que Decarlos Brown a esfaqueou.
Recorte de screenshot de câmera de segurança do metrô.

Coerência

O ICE está destruindo as famílias
Nós amamos a Lindsay Clancy

Por fim, eu apenas pediria que os defensores da Clancy fossem coerentes. Se as mulheres não podem ser responsabilizadas pelo que fazem depois de ter um filho — inclusive quando mandam o marido sair para cumprir uma tarefa e depois estrangulam metodicamente três crianças, uma atrás da outra — então as mulheres não podem ser responsabilizadas por nada.

E se não podem ser responsabilizadas, não têm autonomia. E se não têm autonomia, não deveriam ter autoridade. Se uma mulher está tão à mercê dos hormônios que não consegue impedir-se de estrangular metodicamente três bebês, não deveria ter o direito de votar. Provavelmente não deveria dirigir. Não deveria possuir armas. Não deveria fazer nada que exija um grau relevante de responsabilidade moral.

Se é assim que os hormônios funcionam, então precisamos ser coerentes. Autoridade e responsabilidade andam juntas.

Registro aqui que, como defensor do patriarcado bíblico, eu de fato creio que as mulheres são mais propensas a ser enganadas e a se deixarem levar por excesso hormonal. E sim, eu seria a favor de revogar a 19ª emenda* e voltar ao voto por família. Creio que Deus colocou os homens numa posição de autoridade sobre a sociedade, e isso corresponde a um grau maior de culpabilidade.

Os homens precisam tirar as esposas e as filhas das redes sociais, desligá-las da literatura obscena e do feminismo de Hollywood, mandá-las sair do emprego e voltar para casa, e lavá-las com a água da Palavra.

(Isso, é claro, exigiria que os homens primeiro lidassem com o próprio pecado, a própria covardia e a própria preguiça.)

Contudo… eu não estenderia isso à conclusão de que as mulheres não têm autonomia, responsabilidade ou autoridade. Elas devem ser dignas de confiança, capazes de administrar a casa, negociar, servir à comunidade da igreja e falar com ensino de bondade nos contextos adequados; ver Tito 2 e Provérbios 31.

Portanto, devem ser responsabilizadas pelos seus atos, pois são capazes de um grau elevado de autonomia.

Mas se as mulheres carecem tanto de autonomia e de domínio próprio que não conseguem impedir-se de matar estrangulados os próprios filhos, um atrás do outro, numa execução metódica, então sejamos coerentes com essa lógica. Sem voto. Sem armas. Sem carteira de motorista. Sem direitos parentais. Provavelmente não deveriam aparecer em público a não ser acompanhadas do marido, do pai ou do irmão mais velho — um homem que responda por elas e que também possa contê-las fisicamente. Do contrário, podem ter um acesso hormonal e matar alguém.

Não se pode querer as duas coisas. Se as mulheres não têm responsabilidade por nada, também não têm autoridade. Você pode dizer: “Não estou dizendo que elas não têm responsabilidade por nada… só quero distinções neste assunto complicado.”

Mas não é um assunto complicado. Esta mulher executou metodicamente os três filhos pequenos.

Na verdade, é bastante simples.

*19.ª emenda, em 1920, deu o voto às mulheres nos EUA.
Iryna: morta esfaqueada no metrô. DeCarlos Brown Jr.,foi declarado incapaz de ir a julgamento.
Karmelo: jovem negro que matou um jovem branco.

Imagem:
Lindsay Clancy e os filhos que matou estrangulados: Cora, Dawson e Callan

star-line-clipart-22
Editorial

Colunista do Conselho Internacional de Psicanálise.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *