Uma característica marcante de muitos homens cristãos hoje em dia é a prática afeminada de falar de forma dissimulada e evasiva.
Pior ainda é o fato de que a maioria das pessoas vê essa maneira de falar como a forma moral, “caridosa” e educada de se falar, a ser elogiada, incentivada e imitada.
A essência desse estilo afeminado no homem evangélico é a estratégia de evitar assumir a responsabilidade pessoal (ou “se apropriar”) do que ele tem a dizer.
Alcança-se esse objetivo (a evasão da responsabilidade) por meio de diversas táticas calculadas contra a clareza e a precisão…
Em vez de dizer exatamente o que quer dizer, de forma clara e inequívoca, o homem evangélico educado insinua o que quer dizer por meio de indiretas e implicações, de modo a sempre manter a possibilidade de negar que ele quis dizer a coisa polêmica que ele de fato quis dizer.
Ou, se ele falar, sim, com clareza e autoridade moral inequívoca, ele se assegurará de deixar o objeto de sua crítica vago.
O objeto de sua crítica — seja uma pessoa ou uma ideia — permanecerá sempre abstrato, teórico e desconectado de quaisquer especificidades ou concretudes.
Ao implementar o grau certo de ambiguidade, tanto na natureza de sua crítica quanto no objeto da mesma, ele garante que as pessoas certas em sua audiência se sintam incentivadas e simpatizem com ele, mas que ele nunca precise defender ou fundamentar o que disse.
Conforme mencionado acima, essa maneira evasiva de falar não é uma transgressão que deixa a pessoa se sentindo mal depois.
É o método de comunicação amplamente aceito e prescrito para um “bom homem cristão”.
A objetividade na fala, por outro lado, é considerada um sinal de falta de educação, ou até mesmo de pecaminosidade.
Um homem que diz o que pensa, de forma clara e inequívoca, citando nomes quando relevante e acolhendo o debate aberto com os que discordam — esse homem é visto como “arrogante”, “divisivo”, “grossiro”, “pouco caridoso” e indigno de engajamento público.
Nossa cultura evangélica adotou uma ética de comunicação concebida perfeitamente para incentivar o erro e neutralizar a verdade.
Somente o erro pode prosperar em um clima de ambiguidade dogmática e, como consequência, somente a verdade pode sofrer como consequência.
Nessa cultura de ambiguidade dogmática na fala, os homens honestos serão necessariamente desestimulados e punidos por sua honestidade, enquanto os homens desonestos serão inevitavelmente incentivados e elogiados por sua desonestidade.
Se queremos uma reforma verdadeira e duradoura na Igreja, isso precisa mudar.
Muitos tomaram consciência e começaram a lutar contra alguns dos erros específicos que estão sendo propagados atualmente (por exemplo, o wokeismo, o socialismo, o feminismo, etc.), mas esses erros só ganharam destaque, para começar, como resultado dessa cultura evangélica de ambiguidade.
Além de combater os erros específicos, devemos também combater a cultura efeminada da ambiguidade “polida”, que serve de terreno fértil para todo tipo de erro.
Devemos insistir em lançar a luz purificadora da linguagem clara em todas as facetas da cultura evangélica…
Devemos travar uma guerra santa contra toda falsa suposição sobre o que é “educado”, “caridoso” e “respeitável” no discurso público.
Devemos desmascarar publicamente os evasivos, mentirosos e covardes por se recusarem a assumir a responsabilidade por suas palavras.
Imagine quão saudável a Igreja poderia ser se Seus homens falassem de forma clara e inequívoca, se citassem nomes e listassem detalhes quando relevantes, se declarassem suas posições e afirmassem abertamente sua disposição de defendê-las diante do escrutínio público.
Imagem: João Batista Repreende Herodes,
por Giovanni Fattori, 1856. Foto: cortesia da Galeria da Academia , Florença






