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Por Rabino Yonason Goldson no Jewish World Review.

De onde vêm os valores humanos, a ética, a moralidade e os princípios fundamentais da sociedade civil? Segundo John Adams, Leo Tolstoy e o especialista em ética do século XIX Charles Wagner – entre muitos outros – todos eles vêm dos judeus.

Sem a influência da cultura e tradição judaicas, escreve o historiador Thomas Cahill:

“veríamos o mundo através de olhos diferentes, ouviríamos com ouvidos diferentes, até sentiríamos com sentimentos diferentes. . . pensaríamos com uma mente diferente, interpretaríamos toda a nossa experiência de maneira diferente, tiraríamos conclusões diferentes das coisas que nos sucedem. E definiríamos um caminho diferente para nossas vidas.”

Se é assim, como podemos explicar a ânsia de muitos “pensadores” contemporâneos de contaminar as fontes da sabedoria com reflexões complacentes, envenenando a fonte que sustenta a civilização há mais de 3300 anos?

Como toda grande literatura, as narrativas da Torá não são simples de entender. Mas sua complexidade faz parte de sua profundidade. Em vez de impor a ela nossos próprios preconceitos sociais, buscamos orientação dos ensinamentos acumulados das gerações sábias que vieram antes de nós.

Permanecendo sozinho entre os maiores heróis da história da humanidade está Abraão, a primeira pessoa a reconhecer, por sua própria observação, a existência de um Criador. Ao se comprometer a espalhar a palavra da sabedoria divina por todo o mundo, Abraão trouxe à luz os fundamentos da liberdade moral, para que eles pudessem ser disseminados por seus descendentes para o benefício de toda a humanidade.

A lição mais profunda é ensinada por meio da prova mais profunda de Abraão, quando o Todo-Poderoso o instruiu a sacrificar seu filho Isaac. Aparentemente sem reservas, Abraão se preparou para fazer o impensável, apesar de sua agonia pessoal e de sua incapacidade de entender o porquê.

O dilema do teste de Abraão provou demais para mentes “iluminadas” comprometidas com a primazia do humanismo ético. Alguns concluíram – desprezando as evidências bíblicas irrefutáveis ​​em contrário – que Abraão falhou nesse teste quando se preparou para matar seu filho. Outros sugeriram que o teste deve ter esmagado a auto-estima de Abraão, resultando em auto-ódio ou ódio a Deus.

Esse tipo de revisionismo ideológico pós-moderno reduz a grandeza moral à disfunção moral. Ele formula a análise bíblica no estilo dos gregos antigos, que fabricaram um panteão de deuses vingativos e caprichosos como caricaturas de vícios e depravações humanas. Ele perverte os arquétipos morais, no cerne da tradição judaica, em mitologia superficial e egoísta.

Eis o que os comentários judaicos clássicos nos ensinam:

No nível mais básico, o teste de Abraão demonstrou um caráter definido por absoluta confiança e humildade. Em um único ato, Abraão se preparou para perder tudo o que havia realizado e tudo o que entendia. Por quê? Porque o Mestre que ele servia havia provado repetidamente Sua sabedoria e Sua benevolência. Se o Todo-Poderoso ordenou, Abraão raciocinou, deve ser bom, independentemente de quão completamente sua própria compreensão humana não consiga entendê-la.

Mas isso apenas arranha a superfície. Surpreendentemente, Abraão poderia ter encontrado uma cláusula de fuga. O Todo-Poderoso ordenou que ele “trouxesse Isaque como oferta”. Não tinha sido ordenado a Abraão, explicitamente, matar seu filho. Se foi assim, por que ele não sesatisfez em cumprir ao pé da letra o comando? Por que ele se preparou para sacrificar seu filho quando ele poderia ter justificado parar antes do golpe final?

Por um lado, Abraão sabia que uma vez que uma oferta era colocada no altar, o próximo passo inevitável era o sacrifício. Mas, por outro lado, tudo o que sabia sobre misericórdia e justiça divina argumentava contra o sacrifício humano. Assim, diante de duas opções que desafiavam seu entendimento, Abraão não confiava em si mesmo para agir em seu próprio interesse. O comando implícito do Todo-Poderoso era claro, mesmo que o comando literal fornecesse uma brecha para não seguir até o fim.

Sem dúvida, Abraão sentiu uma dor emocional insuportável ao levantar a faca para abater o filho. Mas o ódio por si mesmo ou o ódio por Deus? Exatamente o oposto. Nada menos que o amor divino e a confiança inatacável em sua própria missão e propósito poderiam ter levado Abraão a sacrificar não apenas seu filho, mas tudo o que dera sentido à sua vida. Este foi um ato de heroísmo espiritual, e Abraão se levantou para a ocasião, sem ter idéia de que o Todo-Poderoso deteria a mão no momento final.

Mas por que um Pai misericordioso sujeitaria um filho amado a tal provação? Primeiro, para que Abraão pudesse realizar o extraordinário potencial espiritual que residia dentro dele. E segundo, como exemplo para as gerações futuras, ensinar-nos que o auto-sacrifício libera o potencial de grandeza que reside em cada um de nós.

Hoje, uma crise de confiança assola uma geração que se perde moral e espiritualmente. Separados de seu passado autêntico e incapazes de traçar um caminho em direção a um futuro significativo, os jovens, em número crescente, entram em depressão e pensam em tirar suas próprias vidas.

Mas não precisa ser assim. As lições de nossos antepassados ​​fornecem a esperança e a visão necessárias para encontrar felicidade e realização. Tudo o que precisamos fazer é levar essas lições ao coração.

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Editorial

Colunista do Conselho Internacional de Psicanálise.

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