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Escolhas demais podem gerar angústia e erros de julgamento. Yonason Goldson mostra como resgatar hábitos banais podem ser terapêutico. Você pode ler o artigo original aqui.
 Malcom Gladwell https://www.ted.com/talks/malcolm_gladwell_on_spaghetti_sauce
Sheena Iyengar https://www.ted.com/talks/sheena_iyengar_on_the_art_of_choosing?language=pt-br
Todos nós já ouvimos que você é o que você come. Agora aprendemos que você pode ser o que os outros comem.
Um estudo da Universidade de Chicago descobriu que as pessoas estão mais inclinadas a confiar umas nas outras e mais propensas a concordar quando comem o mesmo tipo de alimento. Embora os pesquisadores não possam explicar por que, uma série de experiências demonstra um aumento dramático na cooperação e colegialidade quando as pessoas estão falando não apenas durante o almoço, mas durante o mesmo almoço.
Os especialistas nos dizem há anos que as crianças florescem na proporção em que compartilham jantares em família. Quanto mais tempo os pais e os filhos passam juntos à mesa, mais provavelmente as crianças irão ter sucesso na escola, desenvolver uma auto-imagem positiva e desfrutar de uma melhor saúde física e emocional.
A suposição natural foi a de que a interação familiar aumenta os sentimentos de amor e segurança das crianças, o que leva a uma apreciação mais profunda dos valores familiares. Isso, quase com certeza, é verdade.
Mas pode haver um fator adicional. Na maioria dos jantares de família, o que quer que esteja no cardápio é o que todos comem. E isto, aparentemente, faz uma grande diferença.
Certamente esse é o caso com as refeições do sábado em casas judaicas tradicionais. Além da atmosfera de santidade, os enfeites e as lições de abrir a casa para os hóspedes, há a partilha de pratos que cria um subliminar sentido de comunhão.
Da mesma forma em muitos países asiáticos e árabes, é comum que as pessoas comam de um prato central colocado no meio da mesa, possivelmente contribuindo para a família sólida e laços comuns que caracterizam essas culturas.
Mas a lição pode se estender além da mesa do jantar. Se extrapolarmos essa observação curiosa, poderemos ter uma idéia de por que nosso mundo está se tornando, tão rapidamente, uma anarquia social e política.
ESCOLHER OU NÃO ESCOLHER
Numa rotina clássica de vaudeville, um ladrão brande uma arma e exige: “O dinheiro ou a vida”, ao que o comediante Jack Benny responde: “Estou pensando, estou pensando”.
Consideramos que as escolhas nos tornam mais felizes. Afinal, é óbvio que quanto mais vezes pudermos ter exatamente o que queremos, mais contentes e satisfeitos nos tornamos. Não é?
Isso é o que o guru da ciência social Malcolm Gladwell nos faria acreditar.
Em uma palestra do Ted de 2004 (com mais de 6 milhões de visualizações), Gladwell afirma que é a disponibilidade de 14 variedades de mostarda, 36 variedades de molho de espaguete e 71 variedades de azeite que nos fazem, em suas palavras, “feliz.”
Mas Sheena Iyengar dá um argumento convincente que o oposto é verdadeiro. Em sua própria palestra no Ted de 2010, a Dra Iyengar apresenta uma pesquisa que prova como escolhas demasiadas, especialmente sobre diferenças irrelevantes, podem nos deixar oprimidos e paralisados pela indecisão. Em uma época em que o Medo de Ficar de Fora pode se tornar, em breve um diagnóstico clínico, não importa o quanto estamos satisfeitos com a escolha que já fizemos, se não podemos parar de nos perturbar com as muitas mais opções que tivemos que deixar sobre a mesa .
Pior ainda, ter muitas opções pode prejudicar nossa capacidade de tomar decisões, de modo que cometemos erros no julgamento ao permitir que distinções triviais e diferenças insignificantes ofusquem fatores mais críticos.
MANTENHA ISSO SIMPLES, IDIOTA
O que isso tem a ver com o cardápio do almoço? Talvez tudo.
Como seres humanos, não podemos deixar de definir nossas próprias circunstâncias observando os que nos rodeiam. Observe a criança que não presta atenção a um brinquedo até que outra criança o pegue, nesse ponto, a primeira criança perde o interesse por todos os outros brinquedos da caixa de brinquedo.
Infelizmente, os adultos não são muito diferentes.
Quando os outros têm algo que não temos, ficamos menos satisfeitos com o que temos. Mesmo quando conseguimos o que queremos, muitas vezes ficamos nos perguntando se nossa vida não seria muito melhor se tivéssemos escolhido outra coisa, quer seja nosso carro, nosso trabalho ou nosso cônjuge. É apenas um pequeno passo daí para começar a cobiçar o que os outros têm e ressentirmo-nos por terem o que não temos, mesmo que eles se ressintam pela mesma razão. Em pouco tempo, tudo o que conseguimos ver é o que estamos perdendo, até que a amargura seja tudo o que tenhamos para compartilhar com os outros.
O Rei Salomão diz: Não olhe para o vinho, como ele fica vermelho, como ele dá cor ao copo enquanto flui suavemente para baixo. O mundo está cheio de delícias sedutoras, e nós abanamos as brasas do desejo em nossos corações, contemplando todas as coisas que podem nos dar prazer.
Ao criar muitas opções, criamos mais oportunidades para o descontentamento, assim como mais formas de incitar a atitude do nós contra eles, responsável por tantos conflitos sem sentido. Mas quando vemos que os outros estão desfrutando do que temos, ficamos livres para desfrutar o que está diante de nos, tanto mais que a experiência compartilhada torna tudo melhor.
Então, talvez a melhor maneira de desfrutar de uma refeição é dizendo ao garçom: “Quero tudo igual ao que o meu vizinho está comendo.”
Que pode ser a melhor receita para a felicidade mesmo quando não estamos comendo.
O rabino Yonason Goldson é um palestrante e instrutor profissional.
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Editorial

Colunista do Conselho Internacional de Psicanálise.